
SURF TRIP LITORAL SUL - Parte ll
Há alguns dias em território Uruguaio a saudades do solo Brazuca
começa a bater, principalmente da comi
Transitando pela rota 9, visitamos Balizas, onde havia
um vento forte estragando as condições para o surf. Seguido às
orientações dos mapas chegamos em um local próximo ao Cabo Polônio.
Este cabo é de difícil acesso e não constava como um pico de surf,
mas como estava sem ondulação encaramos os 20 min. de caminhão 4x4
até a Vila ao lado do grande Farol, sem as pranchas mesmo, somente
para conhecer. O lugar é espetacular, o mais exótico que visitei no
Uruguai, é uma Vila Hippie no meio do nada, tem praias desertas dos
dois lados e a única maneira de chegar lá e com um bom 4x4 com um
piloto experiente,
Através da rota 9 alcançamos uma outra cidade chamada La Paloma. Antes de entrar na cidade passamos por um outro vilarejo, La Pedrera. Ali quebrava uma onda de 0,5 metro boa, desistimos da queda devido a forte chuva que caía. É hora de pesquisar pousadas e hotel. Depois de perguntar em uns 3 estabelecimentos, resolvemos nos hospedar em um albergue, era a opção mais barata, aliás 3 vezes mais barata do que o hotel mais barato! Ficamos ali 3 noites, fizemos amigos, demos rizadas e curtimos o astral do albergue que fica no meio de uma floresta de eucaliptos.
Dia 15 de janeiro, um domingão, demos uma queda numa
praia da região. La Aguada quebrava uma ondinha de 0,5 metro
lisinha, com água marrom com as ondas rodando bem rápidas. Diversão
garantida nas águas geladas do Uruguai, foi aqui que surfamos com
Long Jonh em pleno janeiro. No período da tarde mais uma queda nesse
mesmo pico, agora com um sol de rachar o cabeça, mas é claro com a
água ainda
Na segunda-feira fomos buscar uma ondas fora da cidade,
passamos então procurando as ondas em picos desertos seguindo a rota
10, uma estrada de chão enlameada, mas que dava para desenvolver uma
boa velocidade. Passamos por Los Caracoles, José Ignácio e outros
pequenos balneários, não havia swell na região, a coisa começou a
ficar crítica, a fissura estava explodindo, mas vamos lá, buscar e
explorar para nós o inédito litoral.
Chegando em Punta Del Leste, ficamos impressionados com
a arquitetura e riqueza da cidade, Iates de Luxo, mansões, cassinos,
carros suntuosos, riqueza para todo o lado. Demos uma volta na
cidade e resolvemos nos informar em uma Escuela de Surf sobre as
opções que teríamos naquela situação. “Miramos
algunas olas, pero que no eran muy buenas, eran muy pequeñas e habia
mucho viento!!!” Voltamos para La Barra para almoçar e
iríamos fazer um força barra, realmente força Barra. Após umas
empanadas de almoço, fomos dar um check e as condições que tinham
eram ainda piores.
O vento sul apertou anunciando a entrada de um swell, fomos conferir as previsões. A direção e intensidade tanto do swell como dos ventos indicavam boas ondas no sul de Santa Catarina. Paramos para refletir e analisar a situação. Resolvemos dormir mais uma noite em Paloma e dar o check bem cedo, caso a condição não fosse favorável regressaríamos ao Brasil.
Acordei cedo, fui em La Aguada, Balconada e Anaconda. O
mar aumentou o tamanho, porém, o vento sul continuava soprando com
bastante intensidade. Nos despedimos de alguns amigos no albergue e
resolvemos pegar estrada. Foi um dia puxado, o objetivo era chegar
em Torres, ou seja, atravessar metade do Uruguai e todo o estado do
Rio Grande do Sul. Durante a viagem, fizemos um pit stop no
Balneário do Hermenegildo em Santa Vitória do Palmar, mar ressacado
com bom tamanho, forte correnteza e vento sul bombando. Depois de
viajar o dia inteiro chegamos em Torres no começo da noite, direto
para o hotel, a estrada foi cansativa, rodamos 900 km. Em torres
muita chuva e vento, expectativa em alta para o dia seguinte. As ondas estavam com cerca de dois metros nas séries o que tornava impossível atravessar a arrebentação nas praias de Torres, conferimos a Praia da Cal, a Prainha e os Molhes do Rio Mampituba. Mais uma vez sem condições de surf. Valeu pelo visual de ver a esquerda da Ilha dos Lobos quebrando grande sobre um fundo raso de pedras. Mar em fúria.
Novamente para a estrada em direção ao norte, depois de
180 km entramos em Itapirubá, pela característica da praia seria uma
boa opção de surf na região. Não deu outra, na Praia Norte de
Itapira haviam boas ondas em condições de mar clássico, um metrão
com maiores, lisinho, pouco crowd e ondas tubulares. O frio estava
presente, surf de neoprene longo. O vento sul era terral e o visual
de filme. Surf intenso durante horas, tiramos o atraso. Ficamos numa
pousada simples em frente ao pico, com um valor simbólico de R$
10,00 a noite, arregado. No dia seguinte, o mar baixou bastante,
porém, rolavam boas ondas ainda com mais de meio metro com excelente
formação. A temperatura agora já era mais agradável, o sol apareceu
novamente. Surfamos pela manhã e após o almoço pegamos a estrada
para outro pico que teria boas condições e que para nós seria
inédito como foi Itapirubá, o pico da vez agora seria Governador
Celso Ramos, Praia das Palmas. Chegamos já era fim de tarde, e começou tudo de novo, a busca pela pousada perfeita, boa e barata. Não tivemos nenhum sucesso, as ondas também não eram das melhores e tocamos no início da noite para Mariscal, já no litoral norte catarinense. Pessoalmente gosto muito de Mariscal, sempre peguei boas ondas lá e já surfei mares clássicos várias vezes. Em questões de pousadas, também não tivemos tanta sorte assim, mas conseguimos uma que se adequeva as nossas necessidades com um valor honesto. No dia seguinte, meio metrão rápido com bastante pressão, um mar muito bom! Com direito inclusive de estourar a cordinha. Surfamos muito, durante horas. O plano era surfar, almoçar e retornar para o litoral do Paraná para pegar o final do swell. Chegando em Guaratuba, o vento nordeste estragava sensivelmente as merrecas da Praia Central, o jeito era ir para casa descansar dos vários dias seguidos de surf trip e arrumar as coisas. Como é bom estar em casa, o melhor sempre de uma viagem é o retorno para sua casa e para sua família. No sábado, dia 21 de janeiro fui não tão cedo e não tão animado para o meu pico preferido, os Paraguaios. Chegando lá, não acreditei, marzinho irado, meio metro com boa formação, com sol e só amigos na água! Depois de altas ondas, muita diversão, e quase quatro horas dentro da água, saí exausto e é claro que estava presente o bode da tarde. Esse foi um final mais do que feliz de uma surf trip irada. Amigos, ondas, natureza, experiências diferentes, alguns quilômetros rodados, só não vai quem não quer!!! Aproveite sua vida, viaje!!!!
Maurício Bastos / Stem Winder |